segunda-feira, junho 07, 2010

Expresso 100 - Dama Aflita, Porto 12 de Junho




FILIPE ABRANCHES
EXPRESSO 100

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DIA 12 DE JUNHO (SÁBADO) às 17:00h
A EXPOSIÇÃO TERMINA A 24 DE JULHO

GALERIA DAMA AFLITA
rua da picaria, 84, Porto


Sobre a exposição
Esta exposição é logo à partida uma violência ou desvirtuação sobre um conceito básico: mostra de ilustrações produzidas para uma coluna de um jornal, Opinião/Expresso. Porque não apresenta o resultado final, antes desvela o processo e os materiais que serviram à produção do objecto final indissociável das ferramentas digitais, vulgo Photoshop. Uma desconstrução. Para além de um carácter pedagógico, esta abordagem, muito usual em exposições de autores de BD, que começou a banalizar-se com a tecnologia digital (o abandono progressivo das tintagens e artes finais em papel), possibilita-nos o contacto directo com o original e as suas marcas ou acidentes. A folha de trabalho muitas vezes de fraca qualidade, reaproveitamento do papel ou simplesmente a utilização do que está à mão, tornou-se um cemitério e receptáculo de materiais físicos: tintas, borrões, lápis semi-apagado com borracha, etc. Mas para lá do aspecto didáctico ocorreu-me outra coisa à medida que me punha a rever estes desenhos acumulados no frenesim da produção editorial para o jornal Expresso. A propósito de uma exposição recente nesta galeria, Dandy, a questão “o que é uma ilustração” terá sido objecto de reflexão. Existem dois textos de dois Moura, um Mário (que deu o mote à exposição Dandy) e outro Pedro, na blogosfera, que recomendo. Algumas questões à partida que não vou analisar aqui, naturalmente, mas que são fundadoras de um debate: Quando nasce uma ilustração? Só existe ela depois de um texto? Como se relaciona o seu cariz de produção em massa (Benjamin, Baudelaire) com a exposição num contexto de galeria? No processo natural de criação destas ilustrações acabava com dois, três ou quatro desenhos concorrentes para o mesmo objecto gráfico. Estas “camadas” destinavam-se a ser sobrepostas virtualmente no Photoshop. Interessa-me este processo que recupera de alguma forma as tradicionais técnicas de impressão gráfica, que obriga a pensar antecipadamente na finalização do trabalho mentalmente, através da separação de cores e da pré-impressão. O que este processo tem de curioso é que produz então fantasmas. Olhando para estas manchas negras de superfícies opacas depreendo que para além de simples “máscaras” de trabalho, essas manchas são elas próprias ilustrações em absoluto, isto é possuem vivência autónoma. Estas silhuetas a par do desenho base que as originou possuem um aspecto misterioso e abstracto em simultâneo que me suscitaram interesse. É o valor absoluto destes fragmentos que quero realçar, mais do que esse lado naturalmente válido do “work in progress”. Alguns dos trabalhos presentes terão mesmo servido de exemplos no âmbito de aulas de ilustração como objecto pedagógico. Revela ainda a matriz e expõe o trabalho de desenho inerente que se dilui no objecto editorial final. Mas agora será antes um teste, este de querer verificar se estes objectos em estado bruto conseguem ganhar essa vivência própria no espaço de galeria da Dama Aflita. Máscaras, fantasmas... ilustrações?


Sobre o autor
Filipe Abranches [n.1965, Lisboa]
Licenciado em Realização pelo curso de Cinema da Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC).
É professor no departamento de Ilustração/Banda Desenhada do Ar.Co desde 2005.
Foi docente da ESAP (Escola Superior Artística do Porto – pólo de Guimarães) entre 2006 e 2008, tendo aí sido o coordenador do Mestrado em Ilustração. Inicia a actividade em bd na revista LX Comics no início dos anos 90, tendo colaborado com os colectivos independentes Amok (Paris) e Freon (Bruxelas) nessa década.
É ilustrador do semanário Expresso e publicou ilustrações em diversos jornais: Público, Le Monde (França), O Independente e I (informação). Destacam-se os seguintes álbuns publicados: História de Lisboa (edições em Portugal, França e Itália), O Diário de K. e Solo, este último uma antologia de histórias curtas, inéditas e dispersas.
Ilustrou integralmente o livro Obra Poética Completa de Edgar Allan Poe, edições Tinta-da-china (2009).
Realizou acções de formação na área da Banda Desenhada, numa parceria Instituto Português do Livro e das Bibliotecas/Ministério da Cultura/Bedeteca de Lisboa, 2002.
Orientou ateliers e workshops para as escolas durante o Salão de Lisboa de Banda Desenhada 2003.
Foi-lhe atribuído um subsídio do ICAM para a realização da curta-metragem de animação “Pássaros”, recebendo o prémio Restart para melhor realização de curta-metragem portuguesa no Festival IndieLisboa 2009. Ganhou novo subsídio do ICA para a curta-metragem de animação “Sanguetinta”, estando esta a ser produzida.
Diversas bolsas e presenças no estrangeiro destacando-se: bolsa de Criação Literária para bd atribuída pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas/Ministério da Cultura, 1998; residência artística em Bruxelas no âmbito do projecto Atelier de l´Échangeur Narratif/Récits de Ville, organizado pelo colectivo Freon, co-produção Bruxelles 2000; autor convidado no Salon du Livre de Paris 2000; bolsa Découverte atribuída pelo Centre National du Livre de France, 2001.
Uma retrospectiva da sua obra de bd teve lugar no 17º Festival Internacional de BD da Amadora em 2006. Presentemente desenvolve o seu trabalho em pleno centro de Lisboa nos ateliers de Sta. Justa, onde residem outros quatro ilustradores.

Tem o seu trabalho divulgado no site:
FILIPE ABRANCHES



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Apoio:



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DAMA AFLITA
Rua da Picaria nº84
4050-477 Porto
tel +351 927 203 858

damaaflita@gmail.com
www.damaaflita.com
www.galeriadamaaflita.blogspot.com
www.myspace.com/galeriadamaaflita

terça-feira, março 16, 2010

DANDY - Dama Aflita, Sábado 20 - 17h



(pormenor do meu trabalho: "Cenas de tédio na caça ao tigre",
tinta da china sobre papel)



DANDY
Colectiva

INAUGURAÇÃO DA EXPOSIÇÃO DIA 20 DE MARÇO (SÁBADO) às 17:00h

LANÇAMENTO DO LIVRO/CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO PELA PLANA PRESS às 17:00h

Autores participantes

Afonso Cruz (pt), Ana Torrie (pt), André Alves (pt), André Lemos (pt), Andrea Gomez (col), Bruno Pereira (pt), Carlos Pinheiro (pt), Craig Atkinson (uk), El-Ed (arg), Esgar Acelerado (pt), Filipe Abranches (pt), Francisco Eduardo (pt), Gémeo Luís (pt), Isabel Carvalho (por Cristiana Pinto e Patrícia Guerra) (pt), João Fazenda (pt), João Maio Pinto (pt), Jordi Ferreiro (es), José Feitor (pt), Júlio Dolbeth (pt), Leonor Zamith (pt), Luis Dourado (pt), Luis Urculo (es), Marco Mendes (pt), Mário Vitória (pt), Marta Madureira (pt), Marta Monteiro (pt), Maxi Luchini (arg), Miguel Arias (usa), Nuno Sousa (pt), Paulo Patrício (pt), Pedro Lino (pt), Pedro Zamith (pt), Ricardo Abreu (pt), Rita Carvalho (pt), Rômolo (br), Rui Vitorino Santos (pt), Rosa Baptista (pt), Salão Coboi (pt), Sam Baron (fr), Serge Against Bourg (pt), Teresa Camara Pestana (pt), Tiago Albuquerque (pt)

Sobre a exposição:

Já não se fala muito do Dandy: a palavra sugere outros tempos, implicando que passou de moda – um paradoxo, sem dúvida (como pode um Dandy passar de moda?) –, mas talvez se possa concluir o oposto: que o Dandy venceu e que, na nossa sociedade, toda a gente é, ou aspira a ser, um. No entanto, isso também não é bem verdade: para se ser um Dandy, não basta uma preocupação por roupas, pelo corpo ou por cremes para a cara; um Dandy não é um metrossexual. Aquilo que distingue um do outro é o que separa um vulgar arruaceiro de um artista marcial: uma certa elegância espiritual, uma certa postura intelectual. O Dandy tem uma filosofia, uma política, embora raramente o reconheça e muitas vezes o negue.

É costume ouvir-se nas notícias que fulano de tal – apesar de ter roubado a empresa, enganado os clientes, acumulado conflitos de interesse, traído a mulher, fugido para o estrangeiro – lá bem no fundo até é boa pessoa. É a mesma coisa que dizer que não se deve julgar as pessoas pelas aparências. Mas quando é que uma coisa deixa de ser uma aparência e passa a ser verdade – e não serão as aparências, na sua variedade, outras tantas verdades? Oscar Wilde dizia que só as pessoas superficiais não julgavam pelas aparências, acrescentando que o mistério do mundo reside nas no que é aparente e não no que é essencial. O Dandy é alguém que julga o mundo pelas aparências. O aspecto do Dandy é o símbolo da sua mobilidade social; não interessa onde nasceu, não interessa quanto dinheiro tem; apenas aquilo que parece. É esta a politica transgressora do Dandy.

Espiritualmente, o Dandy usa o discurso da mesma maneira que se veste: não conta anedotas – que no fundo são apenas fórmulas genéricas, historietas pronto-a-vestir – mas reage em segundos a qualquer situação, resumindo-a num aforismo, desmontando-a num aparte. Socialmente, aterra sempre de pé, e tal como um gato, antes mesmo de chegar ao chão já recompôs a sua postura entediada. Adapta-se a qualquer ocasião, superando-a, tornando-a enfadonha por comparação a si mesmo. O objectivo do Dandy é, de certo modo, o seu próprio tédio. Surpreende, nunca se surpreendendo.

MÁRIO MOURA (texto da exposição)

quarta-feira, janeiro 13, 2010

MASSIVE!!



Volume 8 da Colecção CCC, projecto dirigido por Margarida Borges, Marcos Farrajota, Jucifer e Ricardo Martins; Ideia original:Hülülülü; Design / Capa: Bráulio Amado; Edição: Associação Chili Com Carne; Apoio: Instituto Português de Juventude; ISBN: 978-989-95447-7-2; 104 p. em papel colorido, capa a cores; 500 exemplares

participantes: Adrien Fregosi, João Sequeira, Anna Ehlermak, Daniel Moreira, André Lemos, Craig Atkinson, Fábio Santos, Gaiihin Gobulgœme, Jean Pierre, Serge Onnen, Stephane Prigent, Carletti L. Traviesa, Jaan Maldur, Alex Gozblau, Alex Vieira, João Maio Pinto, Arturas Rozkovas, Alberto Corradi, Marta Monteiro, Tommi Musturi, Marco Moreira, Stevz, Ludmilla Bartscht, Zeke Clough, Afonso Ferreira, Lili Loge, Anna Bas Backer, Braulio Amado, João Fazenda, Warren Craghead III, Pepedelrey, Bruno Escoval, Daniel Lima, António Jorge Gonçalves, Tanxxx, Claudia Guerreiro, Margarida Borges, Ricardo Martins, Massimiliano Bomba, Manuel Donada, José Feitor, Chanic, Rita Hermínio, Pedro Franz, Marion Balac, MP5, Nevada Hill, Ilan Manouach, Rui Vitorino Santos, João Chambel, Filipe Abranches, Cátia Serrão, Manu Grinon, Milos, Remi Cram, Natalia Umpiérrez, Marto, Ward Zwart, André Coelho, Haz, Jucifer, Sofia Mestre e Pilas
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lançamento para 16 de Janeiro na Artside, juntamente com a inauguração da exposição O Último Fósforo