quarta-feira, junho 15, 2011

Ateliers Concorde - Serigrafia

22 OUT.: DEMONSTRAÇÃO DE SERIGRAFIA 
A PARTIR DE IMPRESSÃO DE TRABALHO DE FILIPE ABRANCHES
Destinado a adultos com interesse pela área

Esta formação permite a percepção de todas as fases do processo serigráfico, quer por método directo quer por método indirecto, demonstradas durante a criação de uma série de impressões a partir de um original do ilustrador Filipe Abranches. Os participantes terão direito a uma prova assinada. O autor estará presente.

FORMADOR: António Coelho
Duração: 6 horas - Nº máximo de participantes: 8
Horário: 10H30-13H | 14H-17H30
Materiais fornecidos pela associação
Preço da formação: 
40  não-associados - 30  associados

Localização e contacto

Atelier ConcordeRua Leite Vasconcelos 43A, 1170-198 Lisboa
Metro Santa Apolónia
Autocarros 12 e 35

Inscrições:

sábado, junho 04, 2011

"War freezes" - no Baliza - 2 de Junho - a partir das 22h00




















Inaugura - 2 de Junho de 2010

Baliza Café Bar
R. Bica Duarte Belo, 51 - A
Lisbon, Portugal

Instantâneos (brusco), gestos (desenho) e fragmentos (bomba de fragmentação), danos colaterais e depois.. bebe aqui uma caipirinha com os amigos que isso passa.

"War freezes" - exposição de desenhos
Instantâneos ou "clichés". Um outro título poderia surgir: “Linhas” – The lines ou Les lignes, nome dado às trincheiras serpenteando pelos campos da Flandres. Estabelecer-se ia assim uma relação dessas linhas com traços sobre papel. A linha explorada enquanto sulco ou entalhe gravado num suporte, a folha/chapa ou a carne suporte do martírio. Feridas ou rugas igualmente provocadas pelo bisturi operatório, assinando o corpo para sempre. A técnica clássica do “panejamento” aplica-se agora não apenas no trabalho de ilusão de realismo dado ao pano que cai pelo corpo mas directamente no corpo que é o próprio pano “talhado”. É a minha guerra. Os retratos de feridos tratam da teatralização da guerra em si. Evoca-se um Apollinaire com a cabeça envolta por uma correia e chapa/chapéu. Remete-nos para as fotos das vítimas, de cariz médico-científico da época. É a memória não vivenciada, a mesma que anima W. G. Sebald, a construir um edifício literário que trata da compulsão humana para a destruição. Para este autor o homem dedicou-se nos últimos séculos à destruição planeada do seu semelhante e do seu meio. Químico – guerra/papel: a guerra é alucinação e alucinada. Muitos destes trabalhos resultaram de um processo pessoal de sublimação da raiva. Técnica conseguida através do papel químico, material que realça o facto histórico de ter sido esta a primeira guerra a utilizar armas químicas: o gás. É ainda o carvão negro que riscado passa para o papel imaculado e branco. Risquei por vezes “às cegas” num processo gestual que aposta no erro. A inalação da “morte amarela” produzia um estado alucinatório devastando os pulmões e os soldados sobreviventes traziam na consigo para casa. Sei de um tio-avô que acabou assim, numa cama de hospital a chamar pela mãe. A utilização do gás conclui-se pelos superiores como demasiadamente horrível enquanto arma. Para além disso o vento podia virar os fumos sobre aqueles que os largavam. Era consoante o vento...

design cartaz: João Maio Pinto

Filipe Abranches
Maio de 2011

sábado, janeiro 08, 2011

Tinta nos Nervos - Museu Berardo



Inaugura no dia 10 de Janeiro (Segunda-Feira) às 19h30, no Museu Berardo - no Centro Cultural de Belém - a exposição Tinta nos Nervos. Banda Desenhada Portuguesa comissariada por Pedro Moura.

«Esta exposição visa dar uma perspectiva ampla da criação da banda desenhada portuguesa, procurando o encontro com novos públicos diversificados e expandindo a percepção social desta linguagem. A banda desenhada é sobretudo conhecida como uma linguagem de entretenimento, de massas, afecta ao público infanto-juvenil, sendo muito difícil que alguém não conheça as muitas personagens famosas que compõem essa paisagem cultural. No entanto, tal como em quase todos os outros campos artísticos, a banda desenhada também tem um número de autores que a procuram empregar como um meio de expressão mais pessoal, ou uma disciplina artística aberta a experimentações várias, informadas pelos discursos contemporâneos. Seja pelo lado da escrita, com autores a explorar a autobiografia, uma abordagem da paisagem cultural nacional, problemas de género ou políticos, seja pelo lado da visualidade, explorando novas linguagens, estruturações da página e até graus de abstracção. O mercado de banda desenhada em Portugal, não sendo propriamente forte nem muito diverso, quer em termos de traduções de obras contemporâneas ou históricas quer de trabalhos originais nacionais, é contraposto por toda uma série de experiências em círculos da edição independente ou de projectos alternativos que tem sido um produtivo solo para criadores extremamente interessantes e inovadores.

A exposição presente focará sobretudo autores modernos e contemporâneos - ainda que haja um desvio por dois autores históricos, experimentais na sua época: Rafael Bordalo Pinheiro, o "pai" da banda desenhada moderna portuguesa, e Carlos Botelho, autor do magnífico Ecos da Semana - que procuram elevar a banda desenhada a uma linguagem adulta e inovadora artisticamente. Do desenho suave de Richard Câmara às experiências de Pedro Nora, do minimalismo a preto-e-branco de Bruno Borges à multiplicidade de Maria João Worm, da presença solta de Teresa Câmara Pestana à exuberância das cores de Diniz Conefrey, da austeridade de Janus à vivacidade de Daniel Lima, haverá um largo espectro, ainda que pautado por critérios de pertinência artística, representativo desta área no nosso país. Estarão presentes autores de algum sucesso comercial e crítico (como, por exemplo, José Carlos Fernandes, António Jorge Gonçalves, Filipe Abranches, Nuno Saraiva e Victor Mesquita) e outros autores de círculos mais independentes (de Jucifer/Joana Figueiredo a André Lemos, Miguel Carneiro e Marco Mendes); autores cujas bandas desenhadas parecem obedecer às regras mais convencionais e clássicas da sua fabricação mas para explorar temas disruptivos (como Ana Cortesão, Pedro Zamith e Marcos Farrajota) e outros que as parecem ultrapassar em todos os aspectos (como Nuno Sousa, Carlos Pinheiro ou Cátia Serrão); e ainda artistas que criaram objectos impressos que empregam elementos passíveis de aproximação a uma leitura ampla da banda desenhada, isto é, fazem-nos pensar numa sua possível definição ou apreciação mais alargada (como Eduardo Batarda, Tiago Manuel, Isabel Baraona e Mauro Cerqueira). Nalguns casos, a exploração que os artistas fazem do desenho ganham corpo noutros objectos que não de papel, e que serão integrados nesta mostra (animações, esculturas, bonecos, maquetas, e fanzines-objecto, com larga incidência para aqueles criados por João Bragança).

A lista, que não pretende, de forma alguma, o que seria impossível, ser vista nem como absoluta nem como exaustiva, dos artistas é como segue: Alice Geirinhas, Ana Cortesão, André Lemos, António Jorge Gonçalves, Bruno Borges, Carlos Botelho, Carlos Pinheiro, Carlos Zíngaro, Cátia Serrão, Daniel Lima, Diniz Conefrey, Eduardo Batarda, Filipe Abranches, Isabel Baraona, Isabel Carvalho, Isabel Lobinho, Janus, João Fazenda, João Maio Pinto, José Carlos Fernandes, Jucifer (Joana Figueiredo), Luís Henriques, Marco Mendes, Marcos Farrajota, Maria João Worm, Mauro Cerqueira, Miguel Carneiro, Miguel Rocha, Nuno Saraiva, Nuno Sousa, Paulo Monteiro, Pedro Burgos, Pedro Nora, Pedro Zamith, Pepedelrey, Rafael Bordalo Pinheiro, Richard Câmara, Susa Monteiro, Teresa Câmara Pestana, Tiago Manuel e Victor Mesquita.»