sábado, junho 04, 2011

"War freezes" - no Baliza - 2 de Junho - a partir das 22h00




















Inaugura - 2 de Junho de 2010

Baliza Café Bar
R. Bica Duarte Belo, 51 - A
Lisbon, Portugal

Instantâneos (brusco), gestos (desenho) e fragmentos (bomba de fragmentação), danos colaterais e depois.. bebe aqui uma caipirinha com os amigos que isso passa.

"War freezes" - exposição de desenhos
Instantâneos ou "clichés". Um outro título poderia surgir: “Linhas” – The lines ou Les lignes, nome dado às trincheiras serpenteando pelos campos da Flandres. Estabelecer-se ia assim uma relação dessas linhas com traços sobre papel. A linha explorada enquanto sulco ou entalhe gravado num suporte, a folha/chapa ou a carne suporte do martírio. Feridas ou rugas igualmente provocadas pelo bisturi operatório, assinando o corpo para sempre. A técnica clássica do “panejamento” aplica-se agora não apenas no trabalho de ilusão de realismo dado ao pano que cai pelo corpo mas directamente no corpo que é o próprio pano “talhado”. É a minha guerra. Os retratos de feridos tratam da teatralização da guerra em si. Evoca-se um Apollinaire com a cabeça envolta por uma correia e chapa/chapéu. Remete-nos para as fotos das vítimas, de cariz médico-científico da época. É a memória não vivenciada, a mesma que anima W. G. Sebald, a construir um edifício literário que trata da compulsão humana para a destruição. Para este autor o homem dedicou-se nos últimos séculos à destruição planeada do seu semelhante e do seu meio. Químico – guerra/papel: a guerra é alucinação e alucinada. Muitos destes trabalhos resultaram de um processo pessoal de sublimação da raiva. Técnica conseguida através do papel químico, material que realça o facto histórico de ter sido esta a primeira guerra a utilizar armas químicas: o gás. É ainda o carvão negro que riscado passa para o papel imaculado e branco. Risquei por vezes “às cegas” num processo gestual que aposta no erro. A inalação da “morte amarela” produzia um estado alucinatório devastando os pulmões e os soldados sobreviventes traziam na consigo para casa. Sei de um tio-avô que acabou assim, numa cama de hospital a chamar pela mãe. A utilização do gás conclui-se pelos superiores como demasiadamente horrível enquanto arma. Para além disso o vento podia virar os fumos sobre aqueles que os largavam. Era consoante o vento...

design cartaz: João Maio Pinto

Filipe Abranches
Maio de 2011

1 comentário: